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Chewin' at a rhythm on my bubble gum

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

40 anos de Let It Bleed

let it bleed cut

No próximo dia 28 de Novembro completam-se 40 anos do lançamento de Let It Bleed, oitavo disco de estúdio dos Rolling Stones e segundo disco que compõe a chamada “trindade de ouro” dos Stones, sucedendo Beggars Banquet (1968) e precedendo Sticky Fingers (1969).

Gravado nos Olympic Studios em Londres entre novembro de 1968 e novembro de 1969, Let It Bleed se mostrou o disco mais country dos Stones e se firmou como um clássico em sua discografia. Let It Bleed também é o último disco dos Stones com o guitarrista Brian Jones como membro do grupo. Apesar de ainda fazer parte da banda, Jones contribuiria apenas tocando arpa em You Got The Silver e percussão em Midnight Rambler. (Em julho de 1969 Brian Jones seria encontrado morto na piscina de sua casa, em Hartfield, em um caso que ainda é misterioso até os dias de hoje). Antes da conclusão do disco o guitarrista seria substituído por Mick Taylor, que gravaria apenas duas faixas do álbum. Todas as outras guitarras foram gravadas por Keith Richards, e todas as músicas do disco são de autoria da dupla Jagger/Richards, com exceção de Love In Vain, de Robert Johnson.

Há quem defenda a teoria de que o nome do disco seria uma provocação aos Beatles e à gravação de seu último disco de estúdio, Let it Be, que apesar de estar sendo gravado desde fevereiro de 1968 ainda não fora lançado, mas não há nenhuma declaração ou fato que comprove isso.

Segundo pesquisadores, a faceta country do disco teria sido influenciada pela amizade entre Keith Richards com Gram Parsons, músico de country norte-americano e ex-membro das cultuadas bandas Flying Burrito Brothers e The Byrds. A este também é creditado o arranjo country da música Honky Tonk Women, do álbum Through the Past, Darkly (Big Hits Vol. 2); e lançada em Let It Bleed com o nome Country Honk. Vale citar uma curiosidade sobre Honky Tonk Women: A música foi escrita por Jagger e Richards no Brasil, entre dezembro de 1968 e Janeiro de 1969, influenciados por gaúchos que tocavam músicas gaudérias no rancho em que a dupla esteve hospedada, em Matão-SP.

Outro aspecto marcante e curioso é a capa do álbum. Projetada pelo designer Robert Brownjohn, contém uma peculiar escultura que consiste no Let It Bleed numa antiga vitrola, onde no meio se apóia uma barra que abriga de baixo para cima: uma lata de filme, um relógio de parede, uma pizza, um pneu de bicicleta e um bolo enfeitado com miniaturas dos cinco Stones no topo. Na parte de trás do disco pode se ver a mesma escultura toda destruída, com os bonecos caídos, uma fatia da pizza sobre o disco, a agulha da vitrola quebrada, o filme puxado, uma fatia do bolo faltando, o pneu com um grande furo e o relógio manchado e sujo. A ordem das músicas contidas na parte de traz da capa não condiz com a ordem correta do disco. A alteração fora feita por Roberto Brownjohn apenas por questões visuais.

A faixa de abertura do disco é Gimmie Shelter, que se tornaria um clássico dos Stones. A música fora inspirada na guerra do Vietnam, e em entrevista à Rolling Stone americana em 1995, Jagger a descreveria como “uma música do fim do mundo”. A segunda faixa é Love in Vain, versão dos Stones para o blues do lendário Robert Johnson, seguida da já citada versão de Honky Tonk Women que aqui aparece como Country Honk. A quarta faixa é a agitada Live With Me, marcante pelo baixo, aqui executado por Keith Richards. As faixas três e quatro seriam as duas únicas faixas do disco gravadas pelo novo guitarrista Mick Taylor.

Let It Bleed é a quinta e última faixa do lado A, e consiste em um rock and roll que marca pelos solos de guitarra de Keith Richards e o piano, gravado por Ian Stewart. Para muitos, a letra de Let It Bleed faz aversão a sexo e drogas, e talvez este seja um dos motivos para a canção não ter sido lançada como single.

O lado B começa com Midnight Rambler, um fantástico blues de pouco mais de seis minutos com uma incrível gaita de Mick Jagger. A letra é contada na perspectiva de um estuprador e assassino, e parte dela foi tirada da confissão do americano Albert DeSalvo, que entre junho de 1962 e Janeiro de 1964 estuprou e assassinou treze mulheres em Boston, ficando conhecido como “O estrangulador de Boston”.

You Got The Silver é a oitava faixa; uma balada honky-tonk que marcaria a estreia solo de Keith Richards nos vocais. Antes o guitarrista já havia dividido os vocais com Jagger em outras músicas, mas nunca gravado uma música dos Stones como cantor principal. Contam as lendas que a música teria sido escrita por Richards para sua então namorada, Anita Palenberg. A nona faixa é Monkey Man, blues rock agitado que marca pela levada com piano e os solos de guitarra de Keith Richards aliados aos gritos finais de Mick Jagger.

O disco é fechado com You Can’t Always Get What You Want, uma das mais fantástiscas músicas já gravadas pelos Rolling Stones. Assemelhada com um hino, a canção tem uma das letras e um dos refrões mais belos de todos os tempos: “You can’t always get what you want, But if you try sometimes you might find, You get what you need”.

Gravada nos dias 16 e 17 de novembro de 1968, You Can’t Always Get What You Want contou com diversas participações especiais. A abertura e o final da música foram gravadas pelo The Bach Choir de Londres, um dos mais importantes e numerosos coros do mundo. O piano, o órgão e a trompa foram gravados por Al Kooper, o mesmo que gravou a lendária intro de órgão em Like A Rolling Stone,de Bob Dylan. A bateria ficou por conta do então produtor dos Stones, Jimmy Miller, que assumiu as baquetas de Charlie Watts, pois este não conseguia fazer o “groove” necessário para a música. Rocky Dijon tocou Conga e Maracás, e a atriz norte-americana Nanette Workman gravou os back vocals.

A letra fala sobre a atmosfera social dos anos 60, abordando temas como sexo, drogas e movimentos políticos, ilustrando seu otimismo inicial e suas seguintes frustrações. Em 2003 Jagger disse que You Can’t Always Get What You Want era uma música que ele gostava de tocar no violão, e definiu-a como uma “bedroom song”.

O disco não teve uma turnê de divulgação, mas algumas faixas foram tocadas durante os shows da lendária The Rolling Stones American Tour, que aconteceu entre Novembro e Dezembro de 1969 em 17 cidades dos Estados Unidos. Em dezembro de 1969 o disco atingiu o #1 de vendas no Reino Unido, desbancando Abbey Road dos Beatles da posição. No mesmo ano o disco também atingiu o #3 do Top da Billboard nos Estados Unidos.

Let It Bleed ficou com a 32ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos feita pela Rolling Stone em 2002, e no mesmo ano foi relançado remasterizado em CD e Digipak junto com dezenas de outros álbuns dos Stones pela Decca/ABKCO, braço da gravadora Universal.

Let It Bleed é o marco de uma das mais criativas e fantásticas fases dos Stones e da dupla Keith Richards/Mick Jagger, e é um item indispensável para todo fã da banda. Dentro do encarte da primeira edição do disco um aviso podia ser encontrado: “This record should be played loud”.

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